Comissão é uma das ferramentas mais poderosas para motivar técnicos e alinhar os interesses da equipe com os resultados do negócio. Mas quando calculada incorretamente, sem transparência ou de forma inconsistente, vira fonte de conflito, desmotivação e rotatividade.
O objetivo deste artigo é ajudar você a escolher um modelo, calculá-lo corretamente e pagá-lo de forma que o técnico entenda exatamente de onde veio cada centavo.
Os quatro modelos de comissão mais comuns
Comissão sobre mão de obra
O técnico recebe um percentual sobre o valor de mão de obra das OS que concluiu. Não inclui o valor das peças.
Comissão sobre peças
O percentual incide sobre o valor das peças utilizadas. Menos comum, mais adequado para empresas que vendem peças com alta margem.
Comissão sobre mão de obra + peças
O percentual incide sobre o valor total da OS (mão de obra mais peças). Modelo equilibrado para a maioria dos segmentos.
Sem comissão (salário fixo)
O técnico recebe salário fixo independente do volume ou valor das OS concluídas.
Como calcular na prática
Independente do modelo escolhido, a fórmula é:
Exemplo: OS com mão de obra R$ 200 + peças R$ 150
Comissão sobre mão de obra (20%): R$ 40,00
Comissão sobre total (15%): R$ 52,50
O percentual precisa ser definido levando em conta a margem do serviço. Se a margem líquida do serviço é 40%, comissão de 20% sobre mão de obra ainda deixa 20% para cobrir custos fixos e gerar lucro. Se a margem é 25% e a comissão é 20%, você está virando técnico para pagar técnico.
Quando pagar
Existem dois momentos possíveis para calcular e pagar comissão:
- Na conclusão da OS: mais simples, o técnico sabe imediatamente o que ganhou. Problema: se o cliente não pagar, a empresa pagou comissão sem ter recebido.
- Quando o cliente paga: mais justo financeiramente para a empresa. O técnico precisa entender que a comissão depende do pagamento do cliente — isso precisa estar claro desde o início.
Boa prática: mantenha um extrato de comissões por técnico, detalhado por OS, com status de pagamento visível. Técnicos que conseguem ver de onde veio cada valor raramente questionam o total — e raramente saem do emprego por achar que estão sendo enganados.
Transparência como retenção de talentos
A transparência no cálculo de comissões é uma das ferramentas mais baratas de retenção de técnicos qualificados. Quando o técnico sabe que pode verificar a conta, que o cálculo segue uma regra clara e consistente, a confiança na empresa aumenta — e a tentação de "ir para a concorrência que paga mais" diminui.
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