Cobrar bem não significa cobrar caro. Significa cobrar o suficiente para cobrir todos os custos, pagar sua equipe dignamente, reservar uma margem para imprevistos e ainda ter lucro. Parece óbvio — mas a maioria das assistências técnicas cobra baseada na intuição, no que o concorrente cobra ou no que o cliente "parece que vai aceitar".
Resultado: margens apertadas, serviços precificados abaixo do custo real e uma sensação constante de que o movimento é bom mas o dinheiro nunca sobra.
Os três componentes do preço final
Todo serviço de assistência técnica tem três componentes que precisam ser precificados separadamente:
- Mão de obra: o tempo do técnico e o conhecimento aplicado
- Peças: os componentes substituídos, com margem de reposição
- Garantia: o custo implícito do risco que você está assumindo
A maioria das assistências precifica bem as peças e esquece completamente de embutir o custo da garantia. Depois fica sem entender por que refazendo serviços de graça está "perdendo dinheiro".
Como calcular a hora técnica
A hora técnica é o valor que você precisa cobrar por cada hora de trabalho do técnico para cobrir seus custos e ainda ter margem. A fórmula é simples:
÷ Horas produtivas mensais (aprox. 160h × taxa de produtividade de 70-80%)
= Custo real por hora
Custo real por hora × (1 + margem desejada)
= Hora técnica cobrada
Por exemplo: se um técnico custa R$ 4.000/mês (com todos os encargos) e trabalha 130 horas produtivas, o custo é R$ 30,77/hora. Com 40% de margem, a hora técnica é R$ 43/hora.
Muitas assistências não calculam isso e cobram um valor fixo por serviço que às vezes corresponde a 20 minutos de trabalho e às vezes a 3 horas — e o preço é o mesmo.
Markup em peças: quanto aplicar
O markup em peças precisa cobrir mais do que a diferença entre o preço de compra e o de venda. Precisa cobrir:
- Custo do capital (dinheiro parado em estoque)
- Risco de peça com defeito que precisa ser trocada novamente
- Custo de compra, frete e procurement
- Margem de negociação com cliente
Um markup de 30-50% sobre peças de menor valor e 20-35% sobre peças de alto valor é um ponto de partida razoável para a maioria dos segmentos. O importante é que o markup seja consciente e não estimado na hora.
Peças originais vs. genéricas
Quando usar peças de qualidade inferior para reduzir custo, o preço cobrado pode ser menor — mas a garantia também deve ser menor. A relação risco/custo precisa ser coerente. Ofereça ao cliente a opção de escolher, com os diferentes prazos de garantia e preços apresentados de forma transparente.
O custo real da garantia
Garantia de 90 dias em um conserto significa que, se o equipamento voltar com o mesmo problema nesse período, você conserta de graça. Isso tem um custo real que precisa estar embutido no preço original.
= Custo esperado de garantia por OS
Esse valor deve ser incluído no preço final de cada serviço.
Se você nunca calculou sua taxa de retrabalho, comece a medir agora. Assistências que não medem geralmente têm taxas entre 8% e 15%. Isso significa que, para cada 10 OS concluídas, 1 ou 2 voltarão sem receita adicional.
Dica prática: defina prazos de garantia diferentes por tipo de serviço. Troca de tela pode ter 6 meses, limpeza interna pode ter 30 dias, conserto de placa pode ter 90 dias. Prazos maiores = mais risco = precificar mais alto.
Como apresentar o orçamento ao cliente
Orçamentos transparentes têm taxa de aprovação maior. Ao apresentar mão de obra e peças separados, o cliente entende o que está pagando e percebe o valor do trabalho técnico — não apenas o preço da peça que ele poderia comprar por conta própria.
Sempre inclua no orçamento: prazo de garantia, prazo de execução e o que acontece se surgir algum imprevisto durante o reparo. Documentar esses termos antes de começar protege você e aumenta a confiança do cliente.
Calcule e registre orçamentos no ManuApp
Mão de obra, peças e garantia separados, com aprovação do cliente registrada digitalmente.
Solicitar demonstração gratuita